Gabriel Bandeira conquista 1º ouro do Brasil nas Paralimpíadas após ascensão meteórica

Nadador de 21 anos, que triunfou nos 100m borboleta da classe S14, começou na natação paralímpica em 2020 e disputou primeiro torneio internacional neste ano; país teve também uma prata e um bronze

Fonte: Ge

Que estreia! Gabriel Bandeira, de 21 anos, conquistou na manhã desta quarta-feira no Centro Aquático de Tóquio o primeiro ouro do Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio. O nadador venceu os 100m borboleta da classe S14, que foi incluída pela primeira vez no megaevento, com a marca de 54s76, novo recorde da competição.

O paulista deixou na segunda posição o britânico Reece Dunn (55s12), que é o atual recordista mundial, e na terceira o australiano Benjamin Hance (56s90).

– Minha vida na natação paralímpica só está começando. Queria agradecer bastante o apoio da família e da minha avó. Isso é só o começo – afirmou.

O brasileiro é um fenômeno. Começou a disputar a natação paralímpica somente no ano passado. Acha pouco? A primeira competição internacional dele foi apenas neste ano. E agora, com essa ascensão meteórica, já é campeão do maior evento do mundo.

– Na natação, meu ídolo é o Caeleb Dressel, gosto do jeito que ele nada. Dentro do possível, a prova foi boa. Ainda tenho mais cinco pela frente – comentou.

Dressel, fenômeno norte-americano das piscinas, conquistou cinco ouros nas Olimpíadas de Tóquio, encerradas no dia 8 de agosto.

Gabriel Bandeira é ouro nas Paralimpíadas de Tóquio  — Foto: Miriam Jeske
Gabriel Bandeira é ouro nas Paralimpíadas de Tóquio — Foto: Miriam Jeske

Gabriel, cujo apelido é Bill, tem deficiência intelectual e déficit de atenção, conforme explicou seu técnico, Alexandre Vieira:

– Para ser elegível para classe S14 precisa ter um diagnóstico de deficiência intelectual. Muita gente comete o erro de falar que o atleta aqui tem TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade] ou hiperatividade, e isso não é elegível para o sistema. O que é elegível para o sistema é ter uma deficiência intelectual, e através das avaliações ele ter um QI abaixo de 75. É um teste feito por uma neuropsicóloga. No caso do Bill ele também tem TDAH, ele é hiperativo e ele também tem traços de autismo, mas não é diagnosticado ainda. Mas o que torna elegível para a classe S14 é fazer o teste de QI e ser abaixo de 75.

Gabriel está inscrito em mais quatro provas individuais em Tóquio, com chance real de medalha em todas: 200m livre S14, 100m costas S14, 100m peito SB14 e 200m medley SM14. Ele disputa ainda o revezamento misto 4x200m livre da classe S14.