Quem foi Oswaldo Cruz, um dos maiores sanitaristas brasileiros

O médico foi pioneiro no estudo e na prevenção de doenças tropicais e inaugurou a pesquisa científica no país

Fonte: Revista Galileu

Se hoje no Brasil temos instituições e pesquisadores que se dedicam a aprofundar os conhecimentos, tratamentos e prevenção das doenças infecciosas e parasitárias, é muito graças ao médico Oswaldo Cruz.

Nascido em São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, no dia 5 de agosto de 1872, ele foi pioneiro no estudo das doenças tropicais e encabeçou diversas campanhas de combate a epidemias de sua época. Conheça a vida e trajetória do sanitarista:SAIBA MAIS

Formação
Oswaldo Cruz se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1892, com a tese “A Veiculação Microbiana pelas Águas”, que já indicava seu interesse pela microbiologia — cabe lembrar que foi só no século 19 que se descobriu que as moléstias eram causadas por microrganismos.

Ele chegou a montar um pequeno laboratório no porão de casa, mas deixou de trabalhar nele após a morte do pai. Em 1897, o médico se mudou para Paris a fim de estudar microbiologia, soroterapia e imunologia, no Instituto Pasteur, e medicina legal, no Instituto de Toxicologia. Foi lá que conheceu novas técnicas de produção de soros e vacinas.

Volta ao Rio de Janeiro
De volta ao Brasil, o médico assumiu a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal, onde trabalhou na produção do soro e da vacina contra a peste bubônica. Mas a doença não era a única que assolava o Rio de Janeiro. Na época, a população de cerca de 700 mil pessoas vivia em cortiços, em uma cidade sem calçamento, com esgoto a céu aberto e poças de água parada cheia de insetos. O resultado eram surtos de epidemias como a varíola e a febre amarela — só esta última matou quase mil pessoas em 1902. Em 1903, o sanitarista foi nomeado Diretor-Geral de Saúde Pública, com a missão de combater as epidemias.

O desafio
A missão não era nada fácil e as medidas adotadas por Oswaldo Cruz foram mal recebidas pela população: ele estabeleceu o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos, a captura dos vetores (mosquitos e ratos) e a desinfecção das casas nas áreas de surto. O problema é que não só a população, mas também muitos médicos, acreditavam que as doenças eram transmitidas pelo contato direto com os doentes, e consideravam que as medidas sanitárias eram exageradas.SAIBA MAIS

A Revolta da Vacina
A oposição aos métodos do sanitarista chegou ao ápice em 1904, com o aparecimento de casos de varíola. Oswaldo Cruz determinou a vacinação em massa da população que, com o apoio de campanhas de jornais, se rebelou. A revolta durou uma semana, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacina.

Resultados das campanhas
Mesmo com toda a hostilidade, as estratégias de Oswaldo Cruz se provaram certeiras. As mortes por febre amarela caíram de 469, em 1903, para 39, em 1904. Neste mesmo ano, após o extermínio de mais de 50 mil ratos, a peste foi dada extinta no Rio de Janeiro. E em 1908, a reação das pessoas diante de uma nova epidemia de varíola foi o contrário da primeira vez: elas buscaram a vacinação espontaneamente.

Consagração
Em 1907, Oswaldo Cruz foi reconhecido internacionalmente por sua luta contra as epidemias no Brasil no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. Em 1909, o Instituto Soroterápico Federal foi rebatizado para levar o nome do pesquisador.